Cada cabeça é um mundo, e em cada um desses
“mundos” residem personalidades, idéias, manias e hobbies
diferentes. Várias pessoas têm o hobby de colecionar objetos.
Algumas costumam iniciar suas coleções, mas, ao se
deparar com obstáculos para adquirir novas peças, acabam
desistindo. Outras, mais determinadas e persistentes, seguem
em frente e fazem o possível e o impossível para conseguir
aquele objeto tão estimado.
Para quem gosta de
colecionar, existe uma infinidade de coisas “colecionáveis”.
Desde os objetos mais comuns, como selos, cartões postais e
cartões telefônicos; até as mais esquisitas, como animais
empalhados e bulas de remédio. Para a maioria dos
colecionadores, o valor material de seus apetrechos é
inestimável, o que conta é o valor emocional contido em cada
objeto conquistado.
A partir de agora o RosaChoque.com
dá início a série Coleções & Colecionadores. Se você
possui uma coleção, ou conhece alguém que possua, mande-nos a
sua sugestão.
Quando os sapos se tranformam em
rei
A idéia de colecionar sapos começou como uma
brincadeira para essa carioca de 26 anos. Sempre que Ana
Cristina Teixeira tinha que comprar algo e o tema “sapo” era
uma das opções disponíveis, o simpático anfíbio acabava sendo
o escolhido. No entanto, a coleção só começou a tomar fôlego
em 2001, quando Ana Cristina comprou uma capa para seu
celular. “Eu gostei tanto da capa, que para combinar com ela,
eu comprei um estojo no formato de um sapo comprido. Daí para
a frente não parei mais, foi então que decidi fazer uma
coleção organizada. Tornou-se um hobby”.
Vários são os
itens que Ana Cristina possui, desde os clássicos bichos de
pelúcia até peças artesanais exclusivas. Entre os seus mais de
360 objetos no tema, ela possui peças em resina e madeira,
camisetas, porta-retratos, selos, latas, papéis de carta,
toalhas de rosto, chaveiros, calcinhas, jarras de biscoito e
até candelabros. Segundo Ana, a sua coleção não para de
crescer, “dificilmente consigo sair sem voltar com algum
sapinho”, conta.
Além dos objetos que compra, há ainda
aqueles que ela recebe de presente da família e do namorado,
de quem recebe incentivo para levar sua coleção adiante.
“Sempre que meus familiares vão à minha casa, querem ver meu
quarto para conferir as novidades. Todos acham a coleção
divertida”, orgulha-se. Ana Cristina afirma que não existe um
item favorito em sua coleção, mas confessa sua afeição
especial por uma porcelana chinesa, presente da sua mãe, e
pelo “Sapélvis”, um sapo exclusivo feito de massa de biscuit e
vestido de Élvis Presley, dado pela tia Cacilda.
Numa
de suas aquisições, Ana pregou uma peça no namorado e no pai.
Quando foi à Mariana, em Minas Gerais, comprou um banquinho de
30 centímetros feito de madeira maciça. Fez o namorado
carregar o pacote pela cidade até chegarem ao hotel onde
estavam hospedados, e ao voltarem para o Rio o de Janeiro,
transferiu o encargo para o pai. “Meu pai o carregou por
vários lugares sem saber o que era. Eu fiquei com medo de
dizer, porque ele iria reclamar que era muito pesado e que eu
não ia ter onde colocar um negócio daquele tamanho. Como
estava todo embalado, eu esperei até chegarmos em casa para
contar que era um sapo”, diverte-se.
Na opinião de Ana
Cristina, o colecionismo no país ainda é um hobby pouco
difundido, o que dificulta o contato com outros
colecionadores. Um dos itens mais cobiçados por ela é um jogo
chamado “aquaplay”, da década de 80, além de algumas peças
norte-americanas que não chegam ao Brasil. Mesmo com
dificuldades para conseguir alguns objetos, ela garante que
sua coleção será levada adiante.
Embora nunca tenha
recebido nenhuma proposta, a sua resposta foi taxativa ao ser
perguntada se trocaria sua coleção por algo: “Não troco meus
sapinhos por nada. Eles são meu xodó!”