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mania de Sapo

Matéria publicada pelo jornal Diário da Manhã, de Goiânia, em 24/07/2004.

Estilo
Tendência
Sapolândia
Quem disse que os sapos só vivem na lagoa? Eles também proliferam nas vitrines das lojas em forma de objetos e viraram uma mania
Ana Paula Bravo
Da editoria do DMRevista

Eles estão em toda parte. Tomaram forma de chaveiros, carteiras, abridores de latas, porta-trecos, aparelhos de telefone, cestos de roupa suja, caixas para presente e uma infinidade de outros objetos. Invadiram as vitrines das lojas, os quartos das crianças, salas, banheiros e cozinhas. Nem mesmo a sede do Diário da Manhã escapou da presença de um exemplar tamanho gigante no jardim. Não é um pássaro. Nem um avião. E muito menos o super-homem. É a sapo-mania.

Ribbit!!! Finalmente, os sapos viraram príncipes! Eles pularam de suas lagoas e estão na crista da onda. Essas criaturinhas verdes (há alguns azuis e também dourados), de olhos esbugalhados, pele úmida, enrugada e cheia de verrugas, deixaram definitivamente para trás a pecha de traiçoeiras e repugnantes e agora vivem seu momento de realeza, agradando gente de toda idade e alavancando as vendas do comércio.

“Nem sei porque gosto tanto. É um bicho tão feinho, né?”, diz a dona de casa Magali Brey Meirelles, 70, que há um ano compra tudo o que vê em formato de sapo e já conta com mais de 300 peças em sua coleção. “Sempre que vejo uma novidade, vou lá e compro”, conta. Assim como ela, muita gente. “As coisas de sapo são as que têm mais saída na loja”, garante a comerciante Arianne Rabello, 26, proprietária da Decore, no Carrefour Sudoeste, cuja vitrine é puro sapo.

“Vendo pelo menos uns 20 sapos por dia. Eles só perdem para os incensos”, garante a gerente da esotérica Cheiro da Natureza, no shopping Flamboyant, Cida Moreira. Na loja, o que não faltam são artigos de sapo. “Tem de tudo. Miniaturas, porta-temperos, saboneteiras, incensários”, enumera. Segundo ela, muitos compram os sapinhos porque, de acordo com a tradição oriental, eles atraem prosperidade, fortuna e o sexo oposto.

“Gosto de sapos pelo animal mesmo”, diz a jornalista carioca Ana Cristina Furtado Teixeira, 27, que além de colecionar objetos em forma do animal (são 521 peças), criou um site na internet dedicado exclusivamente aos anfíbios e à sua paixão por eles (anacristinafurt.sites.uol.com.br). No site, é possível encontrar de tudo sobre o assunto, além de conhecer o vasto arsenal “sapônico” da moça. “Não é bonito, não é fofinho, mas é um animal engraçado. É um bicho na dele. Parece aquele tipo de pessoa ‘caladona’. Aparece e desaparece e ninguém nota. Um sapo é capaz de viver no seu jardim e você nem notar que ele está lá. O sapo também tem personalidade forte. Já diz a música: ‘Ele não lava o pé porque não quer.’ Mora na Lagoa, mas não quer. E não lava. Além disso, ele se alimenta de insetos. Eu detesto qualquer tipo de insetos”, resume a jornalista, na tentativa de justificar sua adoração pelo “bichano”.

Fama em NY — Os anfíbios são inspiração para a megaexposição Sapos – Um Coral de Cores, em cartaz desde 29 de maio no Museu de História Natural de Nova York. A mostra, que rola até o dia 3 de outubro, reúne 200 anfíbios de 24 espécies diferentes, desde um sapo chinês azul, que pode planar saltando das árvores, até as espécies vietnamitas, de pele esverdeada, que são praticamente idênticas a um punhado de musgo.

Há ainda outras variedades surpreendentes, como o sapo Budgett, encontrado no Paraguai e na Argentina, que ao ser confrontado emite sons semelhantes ao miado de um gato ferido. As grandes estrelas da mostra, porém, são 12 espécies de sapo venenoso, quatro delas encontradas no Brasil. A mais letal é um pacato e preguiçoso sapo dourado que vive no Equador e norte da Colômbia e cujo único jato de secreção tem quantidade de veneno capaz de matar 20 mil camundongos – ou dez seres humanos.

Para aqueles que não podem conferir a mostra in loco, o Museu de História Natural de Nova York oferece uma boa alternativa pela internet: uma webcam instalada dentro de um dos viveiros, onde se podem ver os anfíbios em tempo real, com imagens atualizadas a cada 30 segundos. O site pode ser acessado de qualquer lugar do globo no endereço www.amnh.org/exhibitions/frogs/frogcam/index.php

Na telinha — A onda dos sapos chegou também à TV. Acabou de estrear no canal Boomerang, da Net e Globosat, o desenho Toro e Pancho, uma versão anfíbia de O gordo e o Magro. O desenho foi criado em 1969 e apenas 17 episódios foram produzidos. Eles serão exibidos de segunda à sexta em sessões às 12h, 20h e 4h. A história é mais ou menos assim: a dupla de sapos atrapalhados passa o tempo coachando nos lagos, capturando moscas, fugindo de eventuais cozinheiros e buscando capturar uma esperta formiga.

Endereços: Cheiro da Natureza - Shopping Flamboyant (2º piso); Stop Car - Shopping Flamboyant (1º piso); Decore Presentes - Carrefour Sudoeste

Curiosidades


# Os sapos fazem parte da classe dos anfíbios. Nascem como seres aquáticos, respiram por brânquias como os peixes, e depois de algumas semanas perdem a cauda, ganham pernas saltadoras e vão viver na terra.

# Um sapo adulto come uma quantidade equivalente a três xícaras cheias de insetos por dia. Com isso, ajuda a controlar a população de moscas e mosquitos e colabora para o equilíbrio ecológico.

# Alguns sapos podem saltar a uma altura de até 20 vezes seu próprio tamanho.

# A maior parte dos sapos tem a íris dos olhos redondas, mas algumas espécies têm a abertura da íris horizontal ou vertical, ou até mesmo triangular ou em forma de coração.

# O menor sapo do mundo é de Cuba com apenas meia polegada. O maior vem da África com cerca de 12 polegadas.

# Os sapos mais venenosos costumam ser também os mais coloridos.

# O dendrobata azul venenoso só é encontrado sob as árvores das florestas do Suriname. Com pele reluzente e cores vibrantes de causar inveja a Picasso, é um sapo exímio na arte da camuflagem e que virou preciosidade da fauna terrestre.

# Há cerca de 4 mil espécies de sapos no mundo. O Brasil é o país que reúne o maior número, cerca de 500. Só na Mata Atlântica estão aproximadamente 160 espécies.

# Não existem sapos na Antártida nem na Islândia.

Fonte: acristinafurt.sites.uol.com.br