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mania
de Sapo

Por
que sapos?
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Eu
é que devia perguntar, por que não?
Sapos são animais adimiráveis. Primeiro porque não
fazem mal a ninguém, são incapazes de perturbar as
pessoas.
O
sapo é independente. Não tem a obrigação
de bajular ninguém nem de agradar e fazer cara de feliz para
ganhar carinho.
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O
sapo se alimenta de insetos asquerosos que ninguém gosta.
Isso conta muito a seu favor.
-
Se
você não mexer com ele, ele não mexe com
você. Aliás, nunca ouvi falar de um sapo que implicasse
com uma pessoa.
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É
um animal super na dele. Fica lá, paradão.
-
É
um ótimo inquilino. Se um sapo se alojar no seu quintal
ou jardim, ele vai ocupar um espaço mínimo, onde
ninguém mexe. Não vai estragar suas plantas nem
fuçar nada. Ele vai sair de noite, comer, e voltar. Você
nem nota a presença do bicho.
-
O
sapo tem personalidade forte. Já dizia a música:
Ele não lava o pé porque não quer. Mora
na Lagoa, mas não quer. E não lava. E o que o
resto do mundo tem com isso? Nada. Ele não quer, então
não lava.
-
Quando
os sapos são personagens de histórinhas, ou desenhos
animados, ou de séries, eles sempre roubam a cena. Ou
são os mais engraçados, ou os mais sábios
ou mais fofos. É só lembrar do Muppet Caco. Ou
do michigan J. Frog (aquele que sai dançadno da caixa
e quando seu dono chama alguém ele se faz de morto).
Não são ótimos atores?
Depois
desses argumentos, eu é que tenho que perguntar:
Por
que não os Sapos?

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Os
sapos
Enfunanado
os papos,
saem
da penumbra,
aos
pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em
ronco que aterra,
Berra
o sapo-boi:
_
"Meu pai foi à guerra!"
_
"Não foi!" _ "Foi!" _"Não
foi!"
O
sapo-tanoeiro,
Parnasiano
aguçado,
Diz:
_"Meu cancioneiro
É
bem martelado.
Vede
como primo
Em
comer os hiatos!
Quer
arte! E nunca rimo
Os
termos cognatos.
O
meu verso é bom
Frumento
sem joio.
Faço
rimas com
Consoantes
de apoio.
Vai
por cinqüenta anos
Que
lhes dei a norma:
Reduzi
sem danos
A
forma a forma.
Clame
a saparia
Em
críticas céticas:
"Não
há mais poesia,
Mas
há artes poéticas..."
Urra
o sapo-boi:
_
"Meu pai foi rei" _"Foi!"
_
"Não foi!" _ "Foi!" _ "Não
foi!"
Brada
em um assomo
O
sapo-tanoeiro:
_"A
grande arte é como
Lavor
de joalheiro.
Ou
bem de estatuário.
Tudo
quanto é belo,
Tudo
quanto é vário,
Canta
no martelo."
Outros,
sapos-pipas
(Um
mal em si cabe)
Falam
pelas tripas:
_
"Sei!" _ "Não sabe!" _ "Sabe!"
Longe
dessa grita,
Lá
onde mais densa
A
noite infinita
Verte
a sombra imensa;
Lá,
fugido ao mundo,
Sem
glória, sem fé,
No
perau profundo
E
solitário, é
Que
soluças tu,
Transido
de frio,
Sapo-cururu
Da
beira do rio...
Manoel
Bandeira, enviado pela minha prima Flora.
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